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NEM FREUD
EXPLICA
CURITIBA - PR
COMÉDIA
No ano de 2006 são comemorados os 150 anos de nascimento de Sigmund
Freud, considerado o pai da psicanálise moderna.
O retorno do espetáculo escrito por João Luiz Fiani aos palcos do FTC
é uma forma de contribuir às comemorações do aniversário de Freud,
promovendo um debate amplo e irrestrito sobre o estado da arte da psicanálise.
"NEM FREUD EXPLICA" é uma crítica clara a todas as teorias
psicanalíticas. Freudianas, Jungianas, Behavioristas e outras que
constituem toda a psicologia moderna. A concepção dessa comédia de João
Luiz Fiani remete-nos a concepção do teatro do absurdo e foi toda
fundamentada em pesquisas do autor, que sempre teve vontade de escrever
um espetáculo para brincar e satirizar as situações vividas pelos
pacientes e terapeutas.
O espetáculo estreou no ano de 2000 no Teatro José Maria Santos e já
fez várias temporadas sempre com sucesso de público e crítica. Fez
apresentações em Recife-PE no Teatro Guararapes para uma platéia de
quase 3.000 pessoas. No Teatro Guaíra em Curitiba lotou várias
temporadas. No FTC de 2004 fez 1650 espectadores no Teatro Paulo Autran.
Classificado pela GAZETA DO POVO como "UMA COMÉDIA
INTELIGENTE", (crítica anexa) o espetáculo conta a história de
Frederico, um jovem com um problema incomum: todos que olham para ele
MORREM de rir!
Com produção da Cia Máscaras de Teatro o texto de João Luiz Fiani,
leva ao palco, as relações e loucuras de um paciente e seu analista.
"É uma crítica às teorias Freudianas, Jungianas, Behavioristas e
outras que constituem toda psicologia moderna", explica o autor. A
concepção da comédia, que remete ao teatro do absurdo, foi toda
fundamentada em pesquisas realizadas pelo autor durante os últimos seis
meses. "Sempre tive vontade de brincar e satirizar as situações
vividas pelos pacientes e terapeutas. Aí surgiu a idéia de me projetar
no palco analisando um sujeito que desperta este instinto incontrolável
de rir. Escrevo textos para que atores consigam transmitir o riso às
pessoas. Por que não parar e escrever algo sobre isso, uma comédia
sobre isso?" diz o autor, que se considera satisfeito com o sucesso
do espetáculo.
Para o ator Marino Jr. que interpreta Frederico a peça é uma
verdadeira terapia. O ator tenta com sua interpretação fazer com que o
público entenda o que é uma pessoa, comum, ter um problema destes.
"Nós atores somos pessoas comuns, e às vezes estamos tristes e
temos de fazer rir. Nem todos os palhaços, comediantes, ou atores do
mundo são pessoas alegres no seu dia a dia. É um barato mexer com tais
sentimentos" analisa Marino Jr, que comemora o carinho recebido do
público que assistiu ao espetáculo.
O ator Marino Jr esteve fora do Brasil estudando comédia. Vencedor em
2002 de uma bolsa de estudos do programa ApArtes do Ministério da Educação
o ator viveu por um ano na Itália, onde se especializou em comédia
dell'arte. No FTC deste ano é responsável pela direção de "AUTO
DA COMPADECIDA" de Ariano Suassuana e também no monólogo
"WERTHER", adaptação de Paulo Venturelli para a obra de
Goethe. Além disso o ator está indicado ao prêmio Gralha Azul de
Melhor Coadjuvante de 2005 e que será entregue pela primeira vez,
durante o FTC deste ano.
O autor e diretor João Luiz Fiani que na trama interpreta o Dr.
Benjamin, responsável pelo "tratamento" do garoto está
envolvido em outros três trabalhos. Assina a adaptação e direção de
"O VAMPIRO CONTRA CURITIBA" de Dalton Trevisan e prepara mais
duas comédias dirigidas ao público do Teatro Lala Schneider. Um remake
de "EU QUERO SEXO" sucesso que tradicionalmente estréia no
FTC e "JACK ESTRIPADOR - A COMÉDIA", para o horário da
meia-noite.
Ela ria e eu ia...
O texto de João Luiz Fiani fala de um sujeito para quem o simples olhar
desnuda mais o que olha do que o olhado. Um olhar, não tão simples,
que identifica as tramas de ambos confundindo e desarticulando a noção
de identidade.
Trata-se de uma trama em que analista e paciente se enxergam refletidos
um no outro, e não vêem diferenças num aspecto, o da impossibilidade
de compreensão. Encontram-se diante do escorregadio e deslizante da
psiquê humana, do indefinível, e por isso absurdo, que caracteriza a
dimensão humana.
Assim, o texto denuncia, com fino humor, a ilusão objetiva do
esclarecimento, lançando uma vigorosa suspeita sobre a possibilidade de
compreensão da dimensão humana, qualificando-a como inapreensível.
Como um permanente inusitado que, contudo não impede ao personagem
analista de reconhecer, "então temos uma chance... o espírito não
riu! Já é um bom sinal...".
Não percam, ou melhor, não se percam.
Francisco Verardi Bocca - Doutor em Filosofia da Psicanálise pela
UNICAMP
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